domingo, fevereiro 24, 2008

essa Pessoa

Vem sentar-te comigo, amor, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes.



segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Sim, é pra você, carinho

SIM

Desde que eu te vi
eu te quis
Eu quis te raptar
Eu fiz um altar
Pra te receber
Como um anjo
Que caiu
lá do céu

Não estava voando
Andando
Distraiu-se

SIM
E agora?
Eu quero voltar lá do céu
Eu quero estar de volta
Eu quero ter você quando estiver de volta

Eu quero você para mim

Não dou
Pra ficar só...
_____________________

apesar de mínimos,
e sobretudo por serem mínimos,
nossos momentos são maravilhosamente intensos...

Fique calmo e seguro... estou aqui...

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

A genealidade é grande observação, reforçada pela nitidez do propósito. Cada homem que observa cautelosamente e decide com segurança, torna-se um gênio.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

"Não encontraremos (no livro) nada de novo, mas sim muita coisa que geralmente não é aplicada. Normalmente, eu e você, não precisamos que nos contem nada de novo. Já sabemos o suficiente para vivermos vidas perfeitas.

Nosso mal não é a ignorância, mas a inércia."

uma pérola encontrada num desses esbarrões que tenho dado pelos livros nesses últimos tempos.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Eu, você e Wally Salomão


O que menos quero pro meu dia polidez,boas maneiras.
Por certo,
um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás...)

Hoje só quero ritmo.
Ritmo no falado e no escrito.
Ritmo, veio-central da mina.
Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.
Ritmo na espiral da fala e do poema.

Não está prevista a emissão
de nenhuma “Ordem do dia”.
Está prescrito o protocolo da diplomacia.
AGITPROP – Agitação e propaganda:
Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia.
Ápice do ápice.

Alguém acha que ritmo jorra fácil,
pronto rebento do espontaneísmo?
Meu ritmo só é ritmo quando temperado com ironia.
Respingos de modernidade tardia?
E os pingos d’água
dão saltos bruscos do cano da torneira
e
passam de um ritmo regular
para uma turbulência
aleatória.

Hoje...

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Da liberdade


Li que os cargos diretores gravitam em torno daqueles que tem a segurança e liberdade de dizer o que pensam.

Um outro, dizia que liberdade é não ter vergonha de ser quem se é.

Sendo assim, qualquer hora dessas...

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Uma mina linda mano!



Visitei este lugar no meio da floresta. Aqui são apenas duas perspectivas de um todo, no meio da floresta amazônica. Tive que abstrair toda informação e mais uma gama de suposições acerca do prejuízo ambiental que a atividade ali exercida provoca e ficar apenas com a imagem da beleza e da grandeza da flora, fauna e dos homens que ali se propõe vencer quase 60m de desnível e construir uma estrutura civil.

Impressionante...

sexta-feira, janeiro 18, 2008

e aí...

Viver é mais como ser a bailarina em pleno solo,- concentrada, vigilante, ensaiada; ou um membro da turba delirante na entrada do estádio de futebol, na final de Corinthians e Palmeiras?

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Remediar o irremediável

... E se fosse apontar toda vez que a "hipocrisia retumbante" se manisfestasse, esse blog não trataria de outra coisa. De modo que desde sempre e a partir de agora, todo seu conteúdo dispõe de sua devida dose de hipocrisia, especialmente sob efeito profilático.

sábado, janeiro 05, 2008

Os otários necessários

"Gosto de repetir a frase de um personagem de John Le Carré que diz que ama a hipocrisia porque é o mais próximo que o homem jamais chegará da virtude. Não é a frase de um moralista desencantado, que odiaria qualquer substituto da virtude, ou de um cético terminal, que não amaria a virtude nem fantasiada. É a frase de quem acha que a moral de mentira é melhor do que moral nenhuma. Que concorda que se Deus não existe, tudo é permitido - para citar outro personagem literário -, mas acrescenta: inclusive viver como se Deus existisse.

O Nelson Rodrigues atualizou a frase do Dostoievski, e no meio de uma suruba federal (acho que a peça é do tempo em que o Rio ainda era a capital do Brasil, uma capital da qual ninguém fugia nos fins de semana), um dos seus personagens grita: " Se Vinícius de Moraes existe, tudo é permitido!" Mas nem a ausência de Deus ou a doce devassidão dos poetas vence a necessidade de fingir que vivemos num universo moral, portanto, de sermos hipócritas praticantes.

A frase sobre o amor à hipocrisia poderia ser de qualquer brasileiro decidido a resistir à desesperança e ao cinismo, por mais que o provoquem. Não somos otários, como pensam. Somos hipócritas. Isto é, otários conscientes, otários assumidos, otários porque o contrário seria sucumbir ao amoralismo dos outros. Otários porque alguém neste país tem que fingir que é virtuoso. Para que a hipocrisia funcione e nos salve do caos é preciso que a maioria faça seu papel: de otários. Essa elite é essa elite porque há anos logra os otários, ela não existiria se os otários não estivessem compenetrados no seu papel. Aqui ninguém é otário por ingenuidade, é tudo simulação, tudo estratégia. São os otários que sustentam a República.

No Brasil, a hipocrisia é uma forma de patriotismo.
____________
Esse artigo foi lapidado por Fernando Veríssimo no jornal O Estado de São Paulo de 11/02/2000. Entre os escombros de minha última mudança, encontrei esse recorte amarelado. Tão atual como se fosse escrito ontem. Tão mais pungente se visto pelo caleidoscópido da Região Norte.

Estar no Pará - um estado moribundo, provoca sensações dicotômicas. Ora se quer fazer transfusão com o próprio sangue para salvar o doente, ora se deseja que ele sucumba de vez e conclua essa morte dramática que se arrasta desde seu nascimento.

Vivi uma tragicomédia ontem. Saimos, minha mãe e uma santarena para comprar peixe. A "peixaria" é uma bancada de zinco perfurada, instalada na calçada de uma avenida. Escolhido o peixe acondicionado num isopor, o "peixeiro" vai até a beira da calçada e pega um pedaço de madeira escura e limosa do chão, com toda a areia e folhas junto, põe sobre a bancada e tasca o facão no peixe! E comenta que está com uma gripe daquelas!!! Pega o peixe, mergulha num balde para "higienizar", e numa sacola plástica, recebemos a iguaria. Sem cerimônia recebe o dinheiro e faz o troco.

Em delírios de contaminação, faço interjeições para a santarena, que não compre a "coisa", e ela toda encabulada, faz que não me ouve (nem ela nem o vendedor). Já numa distância segura onde o "peixeiro" não nos pudesse ouvir, ela comenta jocosamente que nunca mais sairá comigo, para passar vergonha, porque eu sou muito nojenta!!!! -Aqui as coisas são assim! Isso é o ganha pão dele! Você não viu nada. No Tablado (peixarias sobre o rio) é muito pior.... são as deliberações da cidadã na defesa do seu modus vivendis.

Quando esse estado de coisas está incrustrado nos ossos de todo idivíduo de uma região, parece ficar impossível reverter a curva descendente. Partindo disso, só podemos esperar o pior. E essa frase: "- Aqui as coisas são assim", é de uma indolência, uma ignorância de dar raiva.

Bem, de fato, F. Veríssimo estará atual ad eternum em qualquer lugar onde a hipocrisia for uma forma de patriotismo.

sábado, dezembro 29, 2007

Tempo



És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Vou te fazer um pedido
Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Entro num acordo contigo

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
És um dos deuses mais lindos
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Ouve bem o que te digo

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Quando o tempo for propício
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
E eu espalhe benefícios

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Apenas contigo e comigo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Não serei nem terás sido

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Num outro nível de vínculo
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...



Meu jovem Príncipe, me perdoe... por me deixar cativar...

E foi então que apareceu a raposa:
__Bom dia,disse a raposa.
__Bom dia,respondeu polidamente o principezinho,que se voltou,mas não viu nada.
Eu estou aqui,disse a voz,debaixo da macieira...
__Quem és tu?perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
__Sou uma raposa,disse a raposa.
__Vem brincar comigo,propôs o principezinho. Estou tão triste...
__Eu não posso brincar contigo,disse a raposa. Não me cativaram ainda.
__Ah! desculpa,disse o principezinho. Após uma reflexão,acrescentou:


__Que quer dizer "cativar"?


__Tu não és daqui,disse a raposa.Que procuras?
__Procuro os homens,disse o principezinho.Que quer dizer "cativar"?
__Os homens,disse a raposa,têm fuzis e caçam. É bem incômodo!Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem.Tu procuras galinhas?
__Não,disse o principezinho.Eu procuro amigos.Que quer dizer "cativar"?


__É uma coisa muito esquecida,disse a raposa.Significa "criar laços...".


__Criar laços?
__Exatamente,disse a raposa.Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.E eu não tenho necessidade de ti.E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas,nós teremos necessidade um do outro.Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

__Começo a compreender,disse o principezinho...Existe uma flor...eu creio que ela me cativou...
__É possível,disse a raposa.Vê-se tanta coisa na Terra...
__Oh! não foi na Terra,disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:
__Num outro planeta?
__Sim.
__Há caçadores nesse planeta?
__Não.
__Que bom.E galinhas?
__Também não.
__Nada é perfeito,suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia:


__Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também.E por isso me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca,como se fosse música. E depois,olha! Vês lá longe,os campos de trigo? Eu não como pão.O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo,que é dourado,fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
__Por favor...cativa-me! disse ela.

E continuou:

- Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

__Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
__A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo,cativa-me!
__Que é preciso fazer?perguntou o principezinho.

__É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas,cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.

__Teria sido melhor voltares à mesma hora,disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, ais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então,estarei inquieta e agitada:

descobrirei o preço da felicidade!

de Antoine Saint-Exupèry, A raposa e o Príncipe



sexta-feira, dezembro 28, 2007

Feliz Ano Novo

MSF tem uma clínica móvel para tratar casos de malária. No período da seca, a equipe usa caminhões para se deslocar e na estação chuvosa, barcos. Se o paciente estiver em má condição, a equipe o leva para passar a noite recebendo tratamento. No final do dia, mãe e filho são levados a um hotel para passar a noite com MSF. O menino está muito doente para ir para casa. Mianmar (Marco van Hal)

Que esse momento de passagem faça-nos lembrar que somos todos membros de um único corpo - Terra - e que não devemos continuar a adoecer por negligência.

Que a falta de saúde física, moral e intelectual seja dirimida de todos corações em 2008.


quinta-feira, dezembro 20, 2007

Meu bichano

Rapá! Que coisinha!

Não resisti a esse cuti cuti e adotei o tigrinho! O nome dele é Boni, de Bonifácio.

Mexa com o mouse sobre ele. Vai brincar com você. E no lado direito d espacinho dele tem um pedaço de carne. Pegue e aproxime dele. Vai comer tudinho!

Estou tão sensível a ele! Será o espírito de Natal!?

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Ainda mais sobre meu umbigo


Afora perceber que pouco conheço o mundo além de meu umbigo, e por vezes até ele me soar estranho, volto a falar sobre minhas idiossincrasias.

Tenho falado demais. Nooooosssssa como tenho falado! Estou incomodada pelo tanto que estou falando.

Escrever são outros quinhentos. Há uma vírgula de pensamento no ato de escrever.

Agora... a boca quando se movimenta... eita bichinha sagaz! A língua cria vida dentro da boca, e tasca-lhe articular palavras... Um descontrole!

Para 2008 um dos propósitos será falar menos. Mies van der Rohe é que está certo - "menos é mais" sempre!

Depurar. Destilar. Reduzir. Meditar...

segunda-feira, dezembro 17, 2007

O simples


Tenho cá minhas idiossincrasias.

Tantas vezes as coisas estão caindo à tijoladas sobre minha cabeça e nem sinto. Por outras, como hoje; um fragmento de música, singela, sutil, delicada feito pluma - me derruba, faz faltar-me o ar!

I'm stuck here in the darkness
Blinded by all the light
Eu estou preso aqui no escuro
Cego por tanta luz

E não é de hoje, que essa imensidão me cega!

É tanto exagero de detalhes, de nuances, de querenças, de humores, de desejos, de sofreguidão... É tudo tão hiper-mega-blaster-master-ultra-super-over! É luz demais para poder enxergar qualquer coisa!

Por favor - luz de abajur, murmúrio de água, chocolate quente, banhinho tomado, baby doll e meias brancas...

Desejo "menos" para todos essa semana!


quarta-feira, dezembro 05, 2007

A cordialidade e o cordeirismo

Na Veja de 28 de novembro, Stephen Kanitz aborda um dos meus temas preferidos - A Verdade.

Sob o título de "Como combater a arrogância", discorre acerca das posturas daqueles que ocuparam por mais tempo bancos escolares, ou bancos escolares extremamente caros por todo o mundo. Essas pessoas em geral, são irredutíveis no preconceito de que sempre sabem o que é certo e portanto são inquestionáveis.

A meu ver, o mais interessante é a colocação de que, no Brasil, a tal cordialidade que nos caracteriza, é entendida pela aceitação sem questionamento de tudo que "vem de cima" (esse "cima", entendido por pessoas mais estudadas, com mais dinheiro, com a pele branca, estrangeiros, socialmente influentes...)

Filho de inglesa, ele afirma que na Europa e nos EUA, o feedback é muito mais valorizado que a sentença imóvel e absoluta.

Já o brasileiro médio, não retruca qualquer informação que lhe chega.

Se vai a um lugar que ele pressupõe ter fila, é capaz de enfrentá-la por horas sem mesmo ter certeza se precisaria estar ali. E o seu universo vai sendo truncado por tantos obstáculos, que é preferível não fazer nada, a arriscar-se por essas "lombadas".

Pessoas que questionam, que se posicionam, que emitem opiniões e estão abertas a ouvir todas as opiniões, são tidas como corajosas ou arrogantes. Daí eu discordar da afirmação de que se deve combater a arrogância e ponto final.

Qual arrogância? A de pessoas determinadas, destemidas, executoras? E garantir um aglomerado de seres em dúvidas constantes e imobilizadoras? Deve haver uma medida equilibrada entre a dúvida e a certeza, que permita a pessoa andar a passos firmes, e claro, não pisando sobre cabeças.

Talvez essa medida seja a Ética.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Basicamente humano


Ainda estou deglutindo tudo o que vi passar.


Assisti neste final de semana, a riquezas - belezas - altitudes - profundidades - larguras - extensões, todo o cintilar da vida humana pulsante, enérgica e confusa ... muito confusa.


Sei que eles se resolverão da melhor forma, porque qualquer resolução é melhor que indefinições, e vi que estavam "resolvidos a resolver".


E de obviedades se faz o mundo... Frases feitas, replicantes no fundo da alma de qualquer mortal. O "Tao" contém a originalidade do ator e sobretudo o olhar do espectador. São minhas experiências, minhas vivências que vão embasar meu olhar.


Da platéia narrei para os atores, o enredo de outra peça que já havia visto sobre os mesmos temas. Tive ganas de dar uma de diretor, quebrar a claquete... mandar parar tudo, pedir concentração e menos luzes no palco.


Mas fechei os olhos e vi ... não era ensaio. Simplismente eram os atores nus em pêlo, em cena dramática, tentando fazer parecer fácil tudo aquilo.


Penso que não era.


terça-feira, novembro 20, 2007

A Sustentabilidade e o risco de seguir a moda

Na tentativa inglória de manter-me com as narinas fora do lodo da ignorância absoluta, li esta jóia de informação:


Secador de roupa solar
Este post do prof. Arsélio Martins toca, apesar de tudo, num ponto relevante. Secar roupa ao ar livre deve ser das formas mais eficientes de utilizar a energia solar. Muito mais eficiente do que qualquer painel fotovoltaico ou que qualquer painel térmico. Na verdade, secar roupa ao ar livre é uma das poucas formas de usar a energia solar que não requer subsídios. E ainda por cima numa aplicação que tem grandes gastos de energia (transição de fase e essas coisas). E no entanto, os incentivos das autoridades públicas, ao penalizarem as soluções arquitectónicas que permitiriam que as pessoas pudessem pôr roupa a secar, levam as pessoas a secar roupa em secadores eléctricos e força-as a instalar painéis solares. Produzir energia eléctrica em painéis solares para depois a usar para secar roupa é estúpido.
JoaoMiranda em http://ablasfemia.blogspot.com/

Tal notícia confirma o risco imenso de algumas "mentes brilhantes" seguirem a moda.

Não se fala de outra coisa! Tudo o que se faz, produz, pensa ou sonha tem de ter apelos sustentáveis. Como se Sustentabilidade fosse um achado tecnológico de última geração e que incrivelmente está ao alcance de todos. Portanto nada mais "in" rechear todas as iniciativas com tal palavra.

O conceito de sustentabilidade é tão antigo quanto a humanidade.

Novo é produzir substâncias e artífícios inorgânicos, indecomponíveis ou tóxicos. Novo é também produzir conceitos de status na aquisição de produtos sem conteúdo ou qualidade e muitas vezes prejudicial a vida.

Prejudicial é todo um estabilishment se engajar, por exemplo, em regulamentar sistemas de construção e normatizar "modus vivendis", com base em Conceitos de Sustentabilidade, Energias Limpas e produzir uma aberração como essa noticiada acima.

Ser sustentável é o mínimo que se pode esperar de qualquer produto humano.

Já que é difícil para o indíviduo responder a cerca de si mesmo, que ao menos tenha a responsabilidade e a competência de responder pelos objetos que produz, às questões elementares da existência:

De onde vim, quem sou e para onde vou ?

Se as respostas para isso forem éticas então o produto é sustentável. Seja uma casa, um aparelho de barbear ou um creme para rugas.

Mais difícil é ser Auto-Sustentável. Ter autonomia e capacidade de gerenciar recursos limitados que não produza resíduos imprestáveis.

Talvez esse seja realmente o novo desafio humano.