Acabo de ganhar dois lindos livros de poesia. "Retrato do artista quando coisa" de Manoel de Barros e "Poemas malditos, gozosos e devotos" de Hilda Hilst.
O ganhar livros abre um universo de interpretações fabuloso. Por essa fresta, vê-se minimamente qual o olhar da pessoa que oferta a respeito da pessoa presenteada. Neste caso, meu sensível presenteador parece me ver como uma "fera". Uma força da natureza praticamente indomada.
Todos livros que já me presenteou, fazem menção à intensidades, profundidades, abalos vulcânicos e incandescências surpreendentes.
Sim, passa-me ao largo, qualquer água com açucar ou tepidez; contudo é curioso alguém que tem como grau máximo de intimidade conversas de escritório, fazer essa leitura acerca de mim.
Curioso. Muito curioso...
Passou-me agora, se não poderia ter sido eleita musa inspiradora dessa tal figura...? Essa "potência" toda estaria sim nele e já não em mim...essa mulher é dele...só dele... É ele. Ou não!
terça-feira, agosto 21, 2007
sexta-feira, agosto 17, 2007
Sobre quimeras

“ Sic transit gloria mundi! Poucos não terão até hoje ouvido ou lido em algum lugar essa sentença verdadeira e terrível pela própria veracidade. A expressão tem seu uso mais comum para ressaltar a nossa efêmera existência, mas resulta de um ritual bastante utilizado na coroação de papas: diante do recém-eleito, o mestre de cerimônias coloca um pedaço de estopa ao qual se ateia fogo; enquanto as palavras são pronunciadas, o pano é rapidamente consumido pelas chamas.
Poder e glória, quando assumidos com empáfia ou insolência, quando sinais de soberba e petulância egoísta são, de fato, passageiros. Uma glória assim é pura fantasia ou simples quimera. Essa palavra tem origem no grego – khimaira – que significa mais exatamente cabra – mas que se tornou sinônimo de ilusão ou coisa inexistente.
É curioso como até o nosso calendário, agora chamado de comum ou gregoriano (por conta do Papa Gregório XIII), é afetado pela arrogância daqueles que pretendem garantir fugazmente a imortalidade e se apegam à glória do mundo.
Até o séc. 8 AC, o ano do mundo romano da Antiguidade – do qual herdamos essas medidas – tinha apenas dez meses e se iniciava em 1° de março (martius), depois vinha aprilis, maius, iunius e, a partir daí, foram usados numerais (de 5 a 10) para denominar os meses seguintes ( quinctilis, sextilis, september, october, november e december). No século seguinte, para acertar mais a fixação da contagem com o tempo de duração da volta da Terra em torno do Sol, os romanos introduziram mais dois meses ( januarius e februarius) que ficaram para o final; só que no séc. 1 AC o ditador Júlio César fez nova reordenação, passando janeiro e fevereiro para o início e mantendo doze meses.(Por isso, o mês 9 é sete-mbro, o 10 octo-ber, o 11 nove-mbro, o 12, dez-embro)
Ainda, como Júlio césar, nascido no mês quinctilis, foi assassinado, Marco Antônio, general romano e seguidor daquele, decidiu homenageá-lo, trocando o nome do 5° mês para julius, mantendo 31 dias. Porém, por brigas pela defesa da honra entre Marco Antônio e Otávio, por aquele ter desposado Cleópatra e não Otávia, a guerra foi deflagrada e Marco Antonio, vencido, suicidou-se.
Otavio, ou Otaviano, ganhador, passou a ser chamado Augusto, primeiro imperador de Roma e Grande Pontíficie. Fez trocar o nome sextilis do sexto mês para augustus e para ser maior que julius, determinou 31 dias. Vale dizer que a alternância entre 30/31 foi assim quebrada, exceto por fevereiro, que já na sua instituição ficava apenas com os dias que faltavam para o ciclo completo do Sol.
Quase ninguém sabe dessas histórias. Os meses passam, o tempo com ele e, afinal, como sabiamente escreveu Ari Barroso na canção Risque, “ creia, toda quimera se esfuma, como a brancura da espuma que desmancha na areia...” ”
Poder e glória, quando assumidos com empáfia ou insolência, quando sinais de soberba e petulância egoísta são, de fato, passageiros. Uma glória assim é pura fantasia ou simples quimera. Essa palavra tem origem no grego – khimaira – que significa mais exatamente cabra – mas que se tornou sinônimo de ilusão ou coisa inexistente.
É curioso como até o nosso calendário, agora chamado de comum ou gregoriano (por conta do Papa Gregório XIII), é afetado pela arrogância daqueles que pretendem garantir fugazmente a imortalidade e se apegam à glória do mundo.
Até o séc. 8 AC, o ano do mundo romano da Antiguidade – do qual herdamos essas medidas – tinha apenas dez meses e se iniciava em 1° de março (martius), depois vinha aprilis, maius, iunius e, a partir daí, foram usados numerais (de 5 a 10) para denominar os meses seguintes ( quinctilis, sextilis, september, october, november e december). No século seguinte, para acertar mais a fixação da contagem com o tempo de duração da volta da Terra em torno do Sol, os romanos introduziram mais dois meses ( januarius e februarius) que ficaram para o final; só que no séc. 1 AC o ditador Júlio César fez nova reordenação, passando janeiro e fevereiro para o início e mantendo doze meses.(Por isso, o mês 9 é sete-mbro, o 10 octo-ber, o 11 nove-mbro, o 12, dez-embro)
Ainda, como Júlio césar, nascido no mês quinctilis, foi assassinado, Marco Antônio, general romano e seguidor daquele, decidiu homenageá-lo, trocando o nome do 5° mês para julius, mantendo 31 dias. Porém, por brigas pela defesa da honra entre Marco Antônio e Otávio, por aquele ter desposado Cleópatra e não Otávia, a guerra foi deflagrada e Marco Antonio, vencido, suicidou-se.
Otavio, ou Otaviano, ganhador, passou a ser chamado Augusto, primeiro imperador de Roma e Grande Pontíficie. Fez trocar o nome sextilis do sexto mês para augustus e para ser maior que julius, determinou 31 dias. Vale dizer que a alternância entre 30/31 foi assim quebrada, exceto por fevereiro, que já na sua instituição ficava apenas com os dias que faltavam para o ciclo completo do Sol.
Quase ninguém sabe dessas histórias. Os meses passam, o tempo com ele e, afinal, como sabiamente escreveu Ari Barroso na canção Risque, “ creia, toda quimera se esfuma, como a brancura da espuma que desmancha na areia...” ”
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(E eu, que aferrada à contagem do tempo fabulo tê-lo para realizar desejos. E o universo se encarrega de mostrar-me que só existe o fio da navalha... esse quase nada chamado agora.)
segunda-feira, agosto 06, 2007
Sobre a dualidade
"...muito, mas muito tempo atrás, deuses e demônios estavam engajados numa luta sem quartel pela supremacia e pela conquista da imortalidade. Nessa guerra, a arma definitiva seria o Amrita, o Licor da Imortalidade, que jazia no fundo do Oceano das Águas Causais.
No entanto, todo o poder dos deuses, inimaginável para nós, mortais, era insuficiente para extrair o Amrita das profundezas. Ainda mais, quando os demônios estavam concentrados na mesma tarefa, e boicotavam o esforço dos deuses.
Brahma, o Deus Criador, conclamou então um encontro para resolver a questão. Acordou-se que deuses e demônios cooperariam entre si, ao invés de lutar. Vishnu assumiria a forma de Kūrma, uma tartaruga gigante. O ciclo do deus Vishnu inclui dez encarnações, das quais a tartaruga é a segunda. Essas encarnações são chamadas Avatāra, que significa "Aquele que Desce [para salvar o mundo]".
Shiva Natarāja dança o Tandava, a dança da dissolução, no fim dos ciclos cósmicos (kalpas).
Sobre as costas de Kūrma, os demais deuses colocariam o monte Mandara, e ele desceria carregando essa montanha até o fundo do Oceano das Águas Causais (Samudrā). O deus-serpente Vasuki, enroscado ao redor da montanha, serviria como corda, puxada alternadamente por deuses e demônios, cada grupo ficando numa das beiras do Oceano. Desta maneira, Kūrma, girando alucinadamente com os braços e as pernas abertos, trabalhou como uma espécie de liquidificador gigante, que espalhou as águas do Oceano em todas as direções, fazendo com que os tesouros submersos nele desde o início dos tempos, viessem à superfície. A tarefa estava dando muito certo, até a aparição do Veneno.
A aparição do veneno kalakata marca o fim da Primeira Era das quatro do presente ciclo cósmico. Essa Era Cósmica chama-se Satya Yuga em sânscrito, que significa Era da Verdade, ou Era do Dharma.
Shiva estava meditando no alto do Himalāyā. Deuses e demônios foram lhe rogar para serem salvos daqueles vapores letais. Ele aquiesceu, e bebeu o veneno, ficando com a garganta colorida de azul. É por isso que ele é chamado Nīkalantha, o da Garganta Azul.
O nome Garganta Azul aponta para o fato de que não existe nenhum conflito entre o coração e a mente de Shiva. Mente e coração estão em sintonia, alinhados e, entre eles, só existe espaço vazio, representado pela cor azul.
Nīkalantha é aquele que vê todo o mundo em si mesmo, e a si próprio em todo o mundo.
O desapego de Shiva perante a vida e a morte é absolutamente aterrador. Ao beber o veneno kalakata, ele salva o Universo. Ao absorver em seu próprio organismo o veneno do mundo, ele redime a Humanidade.
Desta maneira, deuses e demônios puderam retomar a tarefa de desenterrar não apenas o licor da imortalidade, mas igualmente a deusa Lakshmī, que surge das águas numa cena idêntica à do nascimento de Afrodite na mitologia grega, e que acaba casando com Vishnu, bem como alguns valiosos tesouros, dentre os quais destaca-se o kausthubha, uma jóia que o deus carrega até hoje no peito.
Uma vez resgatados esses tesouros, os deuses deram uma rasteira nos demônios para ficarem com o licor da imortalidade. Mas essa é já outra história..."
Não haver dualidade, conflito entre o que deseja a mente e o corpo; não temer, não escamotear, não adulterar a Verdade, eis o que redime o mundo. E o mundo está em mim - eu sou o mundo.
No entanto, todo o poder dos deuses, inimaginável para nós, mortais, era insuficiente para extrair o Amrita das profundezas. Ainda mais, quando os demônios estavam concentrados na mesma tarefa, e boicotavam o esforço dos deuses.
Brahma, o Deus Criador, conclamou então um encontro para resolver a questão. Acordou-se que deuses e demônios cooperariam entre si, ao invés de lutar. Vishnu assumiria a forma de Kūrma, uma tartaruga gigante. O ciclo do deus Vishnu inclui dez encarnações, das quais a tartaruga é a segunda. Essas encarnações são chamadas Avatāra, que significa "Aquele que Desce [para salvar o mundo]".
Shiva Natarāja dança o Tandava, a dança da dissolução, no fim dos ciclos cósmicos (kalpas).
Sobre as costas de Kūrma, os demais deuses colocariam o monte Mandara, e ele desceria carregando essa montanha até o fundo do Oceano das Águas Causais (Samudrā). O deus-serpente Vasuki, enroscado ao redor da montanha, serviria como corda, puxada alternadamente por deuses e demônios, cada grupo ficando numa das beiras do Oceano. Desta maneira, Kūrma, girando alucinadamente com os braços e as pernas abertos, trabalhou como uma espécie de liquidificador gigante, que espalhou as águas do Oceano em todas as direções, fazendo com que os tesouros submersos nele desde o início dos tempos, viessem à superfície. A tarefa estava dando muito certo, até a aparição do Veneno.
A aparição do veneno kalakata marca o fim da Primeira Era das quatro do presente ciclo cósmico. Essa Era Cósmica chama-se Satya Yuga em sânscrito, que significa Era da Verdade, ou Era do Dharma.
Shiva estava meditando no alto do Himalāyā. Deuses e demônios foram lhe rogar para serem salvos daqueles vapores letais. Ele aquiesceu, e bebeu o veneno, ficando com a garganta colorida de azul. É por isso que ele é chamado Nīkalantha, o da Garganta Azul.
O nome Garganta Azul aponta para o fato de que não existe nenhum conflito entre o coração e a mente de Shiva. Mente e coração estão em sintonia, alinhados e, entre eles, só existe espaço vazio, representado pela cor azul.
Nīkalantha é aquele que vê todo o mundo em si mesmo, e a si próprio em todo o mundo.
O desapego de Shiva perante a vida e a morte é absolutamente aterrador. Ao beber o veneno kalakata, ele salva o Universo. Ao absorver em seu próprio organismo o veneno do mundo, ele redime a Humanidade.
Desta maneira, deuses e demônios puderam retomar a tarefa de desenterrar não apenas o licor da imortalidade, mas igualmente a deusa Lakshmī, que surge das águas numa cena idêntica à do nascimento de Afrodite na mitologia grega, e que acaba casando com Vishnu, bem como alguns valiosos tesouros, dentre os quais destaca-se o kausthubha, uma jóia que o deus carrega até hoje no peito.
Uma vez resgatados esses tesouros, os deuses deram uma rasteira nos demônios para ficarem com o licor da imortalidade. Mas essa é já outra história..."
Não haver dualidade, conflito entre o que deseja a mente e o corpo; não temer, não escamotear, não adulterar a Verdade, eis o que redime o mundo. E o mundo está em mim - eu sou o mundo.
sexta-feira, agosto 03, 2007
Da impermanência
Tudo passa.
Mil vezes mil vezes se ouviu e ouvirá falar que tudo passa. E tudo passa mesmo.
O tempo, esse etéreo elemento sensível e inexistente, flui magica e intrínsecamente. Não há estanqueidade, passado - como fotografias espalhadas ao redor da copa da memória, futuro - o fruto da semente do agora, esse fio de navalha, o piscar de olhos - e já foi. O que torna quase quixotesco o tentar viver a realidade. O que é real? O passado? o futuro?
Essa plantação de sementes que ando a cultivar, está confundindo minha memória. Já não estou certa do que vivi, do que plantei, do que quis e das rotas que tracei no meu mapa interno.
Onde vou chegar, se as sementes estão sendo plantadas em terras alheias? Há dias, muitos dias, que só quero abandonar essa floresta.... Voltar, já não sei bem para onde. Talvez o mais próximo do lugar que queria estar é num ventre, ou por outra, ter no ventre alguém que me sirva de farol - vê-lo piscar seu brilho franco me sinalizando a direção certa a seguir.
Mil vezes mil vezes se ouviu e ouvirá falar que tudo passa. E tudo passa mesmo.
O tempo, esse etéreo elemento sensível e inexistente, flui magica e intrínsecamente. Não há estanqueidade, passado - como fotografias espalhadas ao redor da copa da memória, futuro - o fruto da semente do agora, esse fio de navalha, o piscar de olhos - e já foi. O que torna quase quixotesco o tentar viver a realidade. O que é real? O passado? o futuro?
Essa plantação de sementes que ando a cultivar, está confundindo minha memória. Já não estou certa do que vivi, do que plantei, do que quis e das rotas que tracei no meu mapa interno.
Onde vou chegar, se as sementes estão sendo plantadas em terras alheias? Há dias, muitos dias, que só quero abandonar essa floresta.... Voltar, já não sei bem para onde. Talvez o mais próximo do lugar que queria estar é num ventre, ou por outra, ter no ventre alguém que me sirva de farol - vê-lo piscar seu brilho franco me sinalizando a direção certa a seguir.
segunda-feira, julho 09, 2007
É Guerra
Não é de hoje que me "elogiam" como guerreira. Eu, que prefiro muito mais sombra e água fresca, alguém que me abane e me dê um dengo... Guerreira. Ai de mim.
Entre os meus, estou mais para bahiano velho e cansado, só que entre eles, esse perfil é o dos mais audazes!...Então imagine do que estou a falar! Praticamente zumbis. Sem brio, sem índole, sem caráter... Não são más, são passadas... Como fruta, moles, acres, e de lamentar o que poderiam ter sido no auge da força. Hoje imprestáveis, sem gosto, sem vida, quase podres.
E uma fruta podre, apodrece todo um cesto.
Minha guerra... está mais para permanecer fora do cesto. Está mais para continuar limpa, preferir tomar banho de gato, mesmo que a lingua seque, a me esbaldar nesses rios imundos, de frutas podres, que infestam o ar.
Entre os meus, estou mais para bahiano velho e cansado, só que entre eles, esse perfil é o dos mais audazes!...Então imagine do que estou a falar! Praticamente zumbis. Sem brio, sem índole, sem caráter... Não são más, são passadas... Como fruta, moles, acres, e de lamentar o que poderiam ter sido no auge da força. Hoje imprestáveis, sem gosto, sem vida, quase podres.
E uma fruta podre, apodrece todo um cesto.
Minha guerra... está mais para permanecer fora do cesto. Está mais para continuar limpa, preferir tomar banho de gato, mesmo que a lingua seque, a me esbaldar nesses rios imundos, de frutas podres, que infestam o ar.
O Rei está nu

Carpinejar, sempre absolutamente lúcido, vem lembrar que os homens de uns tempos para cá, deram de mentir. Mentir a idade, a situação financeira, a existência de filhos, o ano do carro, a idade da esposa, as rugas, os calos, os amores e tudo o mais.
Houve um tempo em que o sujeito se afirmava nele mesmo e pronto. Gostem ou não, ele era aquilo. Poderia evoluir, o que é plenamente natural, de acordo com suas convicções e seu entendimento, mas não mentiria a evolução... Tinha vergonha. Hoje isso é produto raro entre os homens. Vergonha.
Não se tem vergonha de ser pego numa grosseira e estapafúrdia parvoíce. É de dar dó. E há os mais desajuizados que ainda se rebelam contra quem os desmascara mesmo sem querer. Nem seria desmascarar, estaria mais para ver o óbvio - o rei está nu.
Não se faz necessário ter mais de 5 anos de idade para notar que o rei está nu, só ele não se enxerga!
E o rei, em sua acepção, teria naturalmente a beleza da realeza, se não quisesse ser o que não é...
Nem reis passam incólumes pelo crivo da Verdade.
segunda-feira, junho 11, 2007
A LA SOMBRA DE TU IDEAL
Un día Diógenes, el cínico, fue al mercado y puso un puesto, y encima un letrero que decía: "Aquí se vende sabiduría".Un griego que leyó el letrero se echó a reír, y dándole a su criado tres sextercios (sesenta centavos), le dijo: - Anda y dile a Diógenes que te venda tres sextercios de sabiduría.
Diógenes tomó el dinero y dijo al criado: - Di a tu amo que en todo lo que haga, mire si no contradice a su ideal. Agradó tanto la sentencia al amo, que la hizo esculpir en la puerta de su casa.
Yo te la he escrito entre estas líneas. Si la quieres no necesitas dinero. Tómala y grábala en tu espíritu.
Y sea entonces tu vida un eco de tu ideal.
Cuida que tus acciones no sean una contradicción con tu manera de pensar. Pon a la sombra de tu ideal toda la varia actividad de tu vida. Esto es ser consciente con tus principios. Esta es la verdadera sabiduría práctica. Esto es vivir en el mundo de las conquistas espirituales y no en los campos fantásticos de las quimeras.
Sólo así llegarás a la altura de los triunfos. No lo olvides: sólo así.
Si sabes ser consecuente con tu ideal.
sexta-feira, maio 18, 2007
PP
Quem me conhece sabe a teoria o PP.
PP é o sujeito que por ter PINTO PEQUENO, acaba distorcendo a realidade para convencer a outros e se possível convencer a si mesmo, de que ele é mais potente do que na verdade é.
O PP é capaz de qualquer abuso na tentativa de criar a fantasia. Se ele tem uma posição de superioridade hierarquica no trabalho, na família, no círculo de amizades, ele vai usar todos os recursos de humilhação e subordinação que seu status permitir.
Em suas tentativas amorosas é que o PP se revela em sua essência. Ele propaga uma imagem inexistente e exige que seu alvo amoroso acate essa idéia fabricada. E pode se tornar muito agressivo se seus objetivos não forem alcançados.
O indivíduo PP, não tem gênero definido. Tanto homens quanto mulheres podem ser PP.
Nos homens fica mais evidente por, na maioria dos casos; coincidir efeitvamente a personalidade PP com o tamanho do membro. Muitas vezes o sujeito se torna PP quando o membro que já era deficitário, passa a não corresponder às suas funções. Em outras palavras, surge o "PP impotente" - o que é um desastre para a moral e auto-estima do indivíduo que já tinha tendências para a pequenez.
Que o Cosmo salve a todos da convivência com PPs.
continua......................
PP é o sujeito que por ter PINTO PEQUENO, acaba distorcendo a realidade para convencer a outros e se possível convencer a si mesmo, de que ele é mais potente do que na verdade é.
O PP é capaz de qualquer abuso na tentativa de criar a fantasia. Se ele tem uma posição de superioridade hierarquica no trabalho, na família, no círculo de amizades, ele vai usar todos os recursos de humilhação e subordinação que seu status permitir.
Em suas tentativas amorosas é que o PP se revela em sua essência. Ele propaga uma imagem inexistente e exige que seu alvo amoroso acate essa idéia fabricada. E pode se tornar muito agressivo se seus objetivos não forem alcançados.
O indivíduo PP, não tem gênero definido. Tanto homens quanto mulheres podem ser PP.
Nos homens fica mais evidente por, na maioria dos casos; coincidir efeitvamente a personalidade PP com o tamanho do membro. Muitas vezes o sujeito se torna PP quando o membro que já era deficitário, passa a não corresponder às suas funções. Em outras palavras, surge o "PP impotente" - o que é um desastre para a moral e auto-estima do indivíduo que já tinha tendências para a pequenez.
Que o Cosmo salve a todos da convivência com PPs.
continua......................
segunda-feira, abril 30, 2007
Zazen

por Mestre Kozen
Esta postura es muy antigua, es una postura que existe desde antes del Buda, es una postura prehistórica del hombre. Estuve de viaje por América Latina, y se encuentran dibujos muy antiguos, dibujos de Incas y de Aztecas que ya practicaban esta postura hace 3.000 – 5.000 años, antes que el Buda en India se practicaba esta postura. En Europa se encontraron estatuas célticas de 3.000 a 5.000 años de gente que practicaba esta postura de zazen. Se trata de una postura inherente al hombre, cada uno de nosotros en su inconsciente conoce esta postura. [mostrando la postura] La mejor manera de practicar es tomar la postura de loto... así se pone el pie izquierdo sobre el muslo derecho... y el pie derecho sobre el izquierdo, las rodillas tienen que estar bien plantadas en el suelo. Es importante sentarse sobre un almohadón, el Buda había hecho un almohadón con hierbas; hay muchos textos antiguos que describen esta postura y dicen que hay que sentarse sobre un almohadón, de manera que la pelvis este basculada naturalmente; entonces la columna queda bien derecha. Si uno se sienta sin el almohadón [retirando el almohadón] no se tiene el mismo equilibrio. Por ejemplo algunos ejercicios de yoga se hacen sin almohadón, pero hacen subir la energía hacia arriba. Por ejemplo para hacer pranajama, para hacer subir la energía a la parte superior del cuerpo, en ese momento hay que poner las manos más hacia delante, pero no es lo mismo, son ejercicios de yoga o gimnasia. Zazen no es un ejercicio, es abandonar el cuerpo y el espíritu. Si se ponen las manos correctamente sin almohadón estamos hacia atrás, estamos obligados a hacer un esfuerzo presionando el vientre. Para esta postura hay que tener un almohadón así [mostrando el almohadón] cada uno tiene que encontrar la altura proporcional a su cuerpo. Hay que ponerse así... [se sienta sobre el almohadón] ... ahí es diferente... Es importante que la pelvis este basculada hacia adelante. Si uno está así no es para nada lo mismo [muestra la postura sin bascular] . La gente piensa que zazen es una meditación, así... piensan, piensan... no tiene nada que ver con una imaginación. Es un despertar de todas las células del cuerpo. Entonces hay que encontrar, hay que tomar la postura en la que verdaderamente se puede abandonar el cuerpo y el espíritu, es decir abandonar sus límites, abandonar su egoísmo, y entonces tomar conciencia, como se dice en el zen, de su verdadera naturaleza.
A menudo la gente pregunta si el zen es una religión, pero primero tienen que estudiar lo que quiere decir la palabra religión. La gente piensa que una religión es creer en un Dios. Pero religión quiere decir “ligar”, y verdaderamente tener un espíritu religioso es extremadamente importante. Y sea como sea, que sea en esta vida, en 100 años o en mil años, van a tener que pasar por esto, es decir comprender que nuestro cuerpo y nuestro espíritu son universales. La gente piensa siempre que están separados de los otros, entonces dicen “Ah, yo soy Stèphane... él es él y ella es ella... yo soy mejor, soy más fuerte... él sufre, ella sufre... pero es su sufrimiento... yo no sufro...” pero en realidad nuestro propio sufrimiento no es nuestro propio sufrimiento, el sufrimiento de los demás es nuestro verdadero sufrimiento. Pero eso nadie puede comprenderlo, nadie quiere comprenderlo, pero porque es un estado de conciencia que es normal; comúnmente para la gente es insoportable porque son extremadamente egoístas, y finalmente todos los problemas del mundo vienen de ahí. Cuando se comprende que el sufrimiento que uno mismo sufre no es nuestro, es de todos, es universal, en ese momento uno no sufre por sufrir, porque es una cuestión de simpatía por los demás. Cuando uno comprende que el sufrimiento del otro al exterior, y el sufrimiento de nuestro propio cuerpo, en ese momento uno puede amar a los demás como a uno mismo. Cambia totalmente todos los datos mundiales, incluso políticamente cambia todo. Hay mucha gente que habla de ecología, de occidente, del tercer mundo, hacen diferencias entre las distintas partes del mundo, es como la gente que hace diferencias en las distintas partes de su propio cuerpo; si uno tiene un órgano que funciona mal en el cuerpo, automáticamente todos los órganos funcionan mal, porque el cuerpo es como una máquina, como un auto por ejemplo. No se puede separar una parte del motor del resto, si una parte del motor funciona mal el auto no puede andar. En el Budismo, en el Zen, se considera que nuestro propio cuerpo, nuestro verdadero propio cuerpo es todo el Universo, que la Tierra misma es nuestro propio cuerpo. Es fácil de entender también; en la Biblia se dice que nacimos de un puñado de cenizas y que volveremos a ser como un puñado de cenizas, uno se nutre de la tierra, entonces es la tierra.
Viola, todo eso son palabras, filosofía. La comprensión del zen, no es una compren
sión intelectual, aunque ustedes comprendan intelectualmente, no es eficaz. A veces se pregunta: “¿el Zen es una religión?” Y a menudo se contesta: “No, no es una religión”; yo digo que el Zen es una religión, es la verdadera religión, es la verdadera conciencia que los une al Universo. En el Budismo se diferencian varias categorías de conciencia o de despertar, en particular se diferencia lo que se llama el Buda para uno mismo del Buda universal. Cuando se lee la historia del Buda Shakyamuni se puede comprender lo que es el verdadero Budismo. Es muy similar al camino de Cristo. Shakyamuni Buda, cuando nació, era un hombre libre, era un Buda, era un Buda para él mismo. Se dice que cuando nació, cuando era bebé, levantó el dedo y dijo algo como: “yo soy el hombre más feliz del mundo, soy el hombre más feliz” y efectivamente era un bebé perfecto, tenía todos los signos de salud, de sabiduría, de felicidad... nació en la familia de un rey, él era príncipe, en realidad tenía toda la felicidad que todo el mundo quiere tener en esta tierra: era bello, era fuerte, era rico, con buena salud, vivía en un lugar magnífico muy lujoso, en una parte de la India muy agradable, en un palacio con sirvientes, todo el mundo lo respetaba, tenía un harem, muchas mujeres... bueno, en realidad tenía una mujer y un harem, tuvo hijos, eran lindos, estaba feliz con su familia... era lo que todo el mundo sueña ser... bien en su cuerpo y en su espíritu, con buena intuición, era un Buda; todo el mundo quiere ser así. Nunca había salido de su palacio, y un día quiso salir... un día salió a la calle desde su palacio... y vio gente pobre, gente que estaba en medio de la suciedad, que pedía dinero, vio alguien enfermo que vomitaba en una alcantarilla, enfermo de cólera, vio a una persona muerta, vio a una persona muy vieja... y se dijo: “yo creía que era feliz, que tenía todo”, tomó conciencia del sufrimiento de los demás, se dio cuenta que ese era un sufrimiento que también era suyo, y que su propia dimensión no era suficiente. Comprendió que su cuerpo perfecto no podía estar separado de los demás. Ahí empieza la religión. La gente quiere hacer zen, yoga, tai chi, para mejorar su salud, etc, etc, etc. Es una dimensión realmente muy pequeña. En ese momento el Buda no pudo continuar viviendo la vida que había tenido antes, quería resolver el problema de por qué se envejece, por qué uno se enferma, por qué se muere, por qué se sufre. Entonces fue de maestro en maestro para profundizar su verdad. Practicó yoga, todo tipo de posturas, de meditaciones, hizo ayunos, hasta el punto de que casi muere... al final estuvo en un callejón sin salida, no sabía que hacer. De todo lo que había hecho, de todos modos lo único que había conseguido era estar enfermo. Y al final se sentó así, se dijo: “yo no sé que hacer, me quedo sentado así hasta que me muera” y se quedó sentado así en zazen durante 49 días, sin objetivo, simplemente así... sin hacer nada. Y comprendió la conciencia universal. Compendió que su propio zazen, su propia meditación ayudaba a los demás, y dijo: “no hace falta hacer mortificaciones, hacerse mal a uno mismo, simplemente hay que comer normalmente, dormir normalmente, vivir normalmente y hacer zazen normalmente”. Y así nació el zen. Después enseñó a sus discípulos, y esta práctica “práctica” se transmitió de maestro a discípulo exactamente hasta hoy. Practicar zazen es eso. Es un despertar....
Se piensa siempre que la comprensión es expresar las cosas con palabras, pero hay cosas que se comprenden con nuestro cuerpo que son mucho más fuertes que nuestra propia capacidad de comprensión. La medicina china tradicional taoísta dice por ejemplo que cada uno de nuestros órganos es una expresión de nuestra alma, cada uno de nuestros órganos expresa sentimientos, pulsiones, emociones. Si tienen los pulmones cansados por ejemplo, ustedes están tristes. En nuestros pulmones, nuestros órganos expresan esto. Uno no está únicamente triste por un pensamiento, todos nuestros órganos piensan; La circulación de la sangre igualmente, el sistema nervioso, la médula espinal, todo eso tiene una conciencia, e incluso más allá de nuestro propio cuerpo, porque nuestro propio cuerpo no está cerrado sobre nosotros mismos. Primero uno respira, pero no son sólo los pulmones que respiran, toda la piel respira, todas las células de nuestra piel respiran. Entonces nuestro cuerpo no puede estar limitado a nosotros, todo el tiempo entra, sale... tanto a nivel material -uno come, va al baño- como también a nivel espiritual, ustedes reciben las informaciones del exterior, ustedes reciben las impresiones del exterior, no solo de los hombres sino también de la naturaleza. Por eso entra, sale... por eso el maestro Dogen –un gran maestro zen- dice que cuando hacen zazen vuestra conciencia, vuestra energía influencia a las piedras, a las montañas, a los ríos. Voilá. Todo eso para explicarles un poquito lo que es el Zen.
Pero la verdadera práctica del Zen, no hace falta explicarla. Se explica simplemente como hacer, es como si quisiera explicarles lo que es el amor, podría hablar toda la noche... es mejor mostrarles como se hace... y después pueden entender por ustedes mismos. Cuando vienen a practicar les mostramos la postura, con lo que recibieron ustedes de sus padres, con lo que ustedes tienen, comienzan la práctica. Al principio es difícil; pero la vida, la muerte, todo eso es muy difícil, y acá agarramos todo eso entre las manos y pa! [manos en zazen] . Con paciencia todo eso se transforma. Uno transforma únicamente su karma, su vida y al mismo tiempo su familia, su país, el mundo entero. No es únicamente una práctica egoísta. Y se transforma sin hablar, inconscientemente.
Esta postura es muy antigua, es una postura que existe desde antes del Buda, es una postura prehistórica del hombre. Estuve de viaje por América Latina, y se encuentran dibujos muy antiguos, dibujos de Incas y de Aztecas que ya practicaban esta postura hace 3.000 – 5.000 años, antes que el Buda en India se practicaba esta postura. En Europa se encontraron estatuas célticas de 3.000 a 5.000 años de gente que practicaba esta postura de zazen. Se trata de una postura inherente al hombre, cada uno de nosotros en su inconsciente conoce esta postura. [mostrando la postura] La mejor manera de practicar es tomar la postura de loto... así se pone el pie izquierdo sobre el muslo derecho... y el pie derecho sobre el izquierdo, las rodillas tienen que estar bien plantadas en el suelo. Es importante sentarse sobre un almohadón, el Buda había hecho un almohadón con hierbas; hay muchos textos antiguos que describen esta postura y dicen que hay que sentarse sobre un almohadón, de manera que la pelvis este basculada naturalmente; entonces la columna queda bien derecha. Si uno se sienta sin el almohadón [retirando el almohadón] no se tiene el mismo equilibrio. Por ejemplo algunos ejercicios de yoga se hacen sin almohadón, pero hacen subir la energía hacia arriba. Por ejemplo para hacer pranajama, para hacer subir la energía a la parte superior del cuerpo, en ese momento hay que poner las manos más hacia delante, pero no es lo mismo, son ejercicios de yoga o gimnasia. Zazen no es un ejercicio, es abandonar el cuerpo y el espíritu. Si se ponen las manos correctamente sin almohadón estamos hacia atrás, estamos obligados a hacer un esfuerzo presionando el vientre. Para esta postura hay que tener un almohadón así [mostrando el almohadón] cada uno tiene que encontrar la altura proporcional a su cuerpo. Hay que ponerse así... [se sienta sobre el almohadón] ... ahí es diferente... Es importante que la pelvis este basculada hacia adelante. Si uno está así no es para nada lo mismo [muestra la postura sin bascular] . La gente piensa que zazen es una meditación, así... piensan, piensan... no tiene nada que ver con una imaginación. Es un despertar de todas las células del cuerpo. Entonces hay que encontrar, hay que tomar la postura en la que verdaderamente se puede abandonar el cuerpo y el espíritu, es decir abandonar sus límites, abandonar su egoísmo, y entonces tomar conciencia, como se dice en el zen, de su verdadera naturaleza.
A menudo la gente pregunta si el zen es una religión, pero primero tienen que estudiar lo que quiere decir la palabra religión. La gente piensa que una religión es creer en un Dios. Pero religión quiere decir “ligar”, y verdaderamente tener un espíritu religioso es extremadamente importante. Y sea como sea, que sea en esta vida, en 100 años o en mil años, van a tener que pasar por esto, es decir comprender que nuestro cuerpo y nuestro espíritu son universales. La gente piensa siempre que están separados de los otros, entonces dicen “Ah, yo soy Stèphane... él es él y ella es ella... yo soy mejor, soy más fuerte... él sufre, ella sufre... pero es su sufrimiento... yo no sufro...” pero en realidad nuestro propio sufrimiento no es nuestro propio sufrimiento, el sufrimiento de los demás es nuestro verdadero sufrimiento. Pero eso nadie puede comprenderlo, nadie quiere comprenderlo, pero porque es un estado de conciencia que es normal; comúnmente para la gente es insoportable porque son extremadamente egoístas, y finalmente todos los problemas del mundo vienen de ahí. Cuando se comprende que el sufrimiento que uno mismo sufre no es nuestro, es de todos, es universal, en ese momento uno no sufre por sufrir, porque es una cuestión de simpatía por los demás. Cuando uno comprende que el sufrimiento del otro al exterior, y el sufrimiento de nuestro propio cuerpo, en ese momento uno puede amar a los demás como a uno mismo. Cambia totalmente todos los datos mundiales, incluso políticamente cambia todo. Hay mucha gente que habla de ecología, de occidente, del tercer mundo, hacen diferencias entre las distintas partes del mundo, es como la gente que hace diferencias en las distintas partes de su propio cuerpo; si uno tiene un órgano que funciona mal en el cuerpo, automáticamente todos los órganos funcionan mal, porque el cuerpo es como una máquina, como un auto por ejemplo. No se puede separar una parte del motor del resto, si una parte del motor funciona mal el auto no puede andar. En el Budismo, en el Zen, se considera que nuestro propio cuerpo, nuestro verdadero propio cuerpo es todo el Universo, que la Tierra misma es nuestro propio cuerpo. Es fácil de entender también; en la Biblia se dice que nacimos de un puñado de cenizas y que volveremos a ser como un puñado de cenizas, uno se nutre de la tierra, entonces es la tierra.
Viola, todo eso son palabras, filosofía. La comprensión del zen, no es una compren
sión intelectual, aunque ustedes comprendan intelectualmente, no es eficaz. A veces se pregunta: “¿el Zen es una religión?” Y a menudo se contesta: “No, no es una religión”; yo digo que el Zen es una religión, es la verdadera religión, es la verdadera conciencia que los une al Universo. En el Budismo se diferencian varias categorías de conciencia o de despertar, en particular se diferencia lo que se llama el Buda para uno mismo del Buda universal. Cuando se lee la historia del Buda Shakyamuni se puede comprender lo que es el verdadero Budismo. Es muy similar al camino de Cristo. Shakyamuni Buda, cuando nació, era un hombre libre, era un Buda, era un Buda para él mismo. Se dice que cuando nació, cuando era bebé, levantó el dedo y dijo algo como: “yo soy el hombre más feliz del mundo, soy el hombre más feliz” y efectivamente era un bebé perfecto, tenía todos los signos de salud, de sabiduría, de felicidad... nació en la familia de un rey, él era príncipe, en realidad tenía toda la felicidad que todo el mundo quiere tener en esta tierra: era bello, era fuerte, era rico, con buena salud, vivía en un lugar magnífico muy lujoso, en una parte de la India muy agradable, en un palacio con sirvientes, todo el mundo lo respetaba, tenía un harem, muchas mujeres... bueno, en realidad tenía una mujer y un harem, tuvo hijos, eran lindos, estaba feliz con su familia... era lo que todo el mundo sueña ser... bien en su cuerpo y en su espíritu, con buena intuición, era un Buda; todo el mundo quiere ser así. Nunca había salido de su palacio, y un día quiso salir... un día salió a la calle desde su palacio... y vio gente pobre, gente que estaba en medio de la suciedad, que pedía dinero, vio alguien enfermo que vomitaba en una alcantarilla, enfermo de cólera, vio a una persona muerta, vio a una persona muy vieja... y se dijo: “yo creía que era feliz, que tenía todo”, tomó conciencia del sufrimiento de los demás, se dio cuenta que ese era un sufrimiento que también era suyo, y que su propia dimensión no era suficiente. Comprendió que su cuerpo perfecto no podía estar separado de los demás. Ahí empieza la religión. La gente quiere hacer zen, yoga, tai chi, para mejorar su salud, etc, etc, etc. Es una dimensión realmente muy pequeña. En ese momento el Buda no pudo continuar viviendo la vida que había tenido antes, quería resolver el problema de por qué se envejece, por qué uno se enferma, por qué se muere, por qué se sufre. Entonces fue de maestro en maestro para profundizar su verdad. Practicó yoga, todo tipo de posturas, de meditaciones, hizo ayunos, hasta el punto de que casi muere... al final estuvo en un callejón sin salida, no sabía que hacer. De todo lo que había hecho, de todos modos lo único que había conseguido era estar enfermo. Y al final se sentó así, se dijo: “yo no sé que hacer, me quedo sentado así hasta que me muera” y se quedó sentado así en zazen durante 49 días, sin objetivo, simplemente así... sin hacer nada. Y comprendió la conciencia universal. Compendió que su propio zazen, su propia meditación ayudaba a los demás, y dijo: “no hace falta hacer mortificaciones, hacerse mal a uno mismo, simplemente hay que comer normalmente, dormir normalmente, vivir normalmente y hacer zazen normalmente”. Y así nació el zen. Después enseñó a sus discípulos, y esta práctica “práctica” se transmitió de maestro a discípulo exactamente hasta hoy. Practicar zazen es eso. Es un despertar....Se piensa siempre que la comprensión es expresar las cosas con palabras, pero hay cosas que se comprenden con nuestro cuerpo que son mucho más fuertes que nuestra propia capacidad de comprensión. La medicina china tradicional taoísta dice por ejemplo que cada uno de nuestros órganos es una expresión de nuestra alma, cada uno de nuestros órganos expresa sentimientos, pulsiones, emociones. Si tienen los pulmones cansados por ejemplo, ustedes están tristes. En nuestros pulmones, nuestros órganos expresan esto. Uno no está únicamente triste por un pensamiento, todos nuestros órganos piensan; La circulación de la sangre igualmente, el sistema nervioso, la médula espinal, todo eso tiene una conciencia, e incluso más allá de nuestro propio cuerpo, porque nuestro propio cuerpo no está cerrado sobre nosotros mismos. Primero uno respira, pero no son sólo los pulmones que respiran, toda la piel respira, todas las células de nuestra piel respiran. Entonces nuestro cuerpo no puede estar limitado a nosotros, todo el tiempo entra, sale... tanto a nivel material -uno come, va al baño- como también a nivel espiritual, ustedes reciben las informaciones del exterior, ustedes reciben las impresiones del exterior, no solo de los hombres sino también de la naturaleza. Por eso entra, sale... por eso el maestro Dogen –un gran maestro zen- dice que cuando hacen zazen vuestra conciencia, vuestra energía influencia a las piedras, a las montañas, a los ríos. Voilá. Todo eso para explicarles un poquito lo que es el Zen.
Pero la verdadera práctica del Zen, no hace falta explicarla. Se explica simplemente como hacer, es como si quisiera explicarles lo que es el amor, podría hablar toda la noche... es mejor mostrarles como se hace... y después pueden entender por ustedes mismos. Cuando vienen a practicar les mostramos la postura, con lo que recibieron ustedes de sus padres, con lo que ustedes tienen, comienzan la práctica. Al principio es difícil; pero la vida, la muerte, todo eso es muy difícil, y acá agarramos todo eso entre las manos y pa! [manos en zazen] . Con paciencia todo eso se transforma. Uno transforma únicamente su karma, su vida y al mismo tiempo su familia, su país, el mundo entero. No es únicamente una práctica egoísta. Y se transforma sin hablar, inconscientemente.
quarta-feira, abril 18, 2007
Referências
terça-feira, abril 17, 2007
DERRAMANDO-SE
"As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não." Manuel Bandeira em "Arte de Amar"
de F. Carpinejar
Raramente uso a palavra alma. Alma é uma facilidade. Como se a pronunciando, já estamos sendo profundos. Minha mãe fica ofendida: diz que sou desalmado. Não é verdade, até o musgo tem alma. O musgo da escadaria de casa é um tapete de cadarços. Tem em sua frágil esponja o som dos sapatos que o atravessaram. O musgo é a campainha dos pés. Não é fácil procurar o corpo. Por estar sempre à disposição, o corpo confunde. Ver o corpo não é chamá-lo. Por isso, tardamos a descobrir o que o corpo sente. Precisa vir um amor para me ensinar o próprio corpo. O corpo se maravilha de visita. Meu corpo só se enxerga sendo admirado por uma mulher. Em mim, o corpo é cego. Tanta faz que tenha passado trinta anos com o meu corpo, o corpo não acorda com a minha voz. Quem não doa o corpo, não pode recuperá-lo. Eu sou adepto do corpo. O corpo me ensina mais humildade do que a alma. O cansaço do corpo. Os limites do corpo. Os senões do corpo. Os serões do corpo. O corpo me dobra e me convalesce. O corpo manda, não avisa. Por ele, sei quando devo voltar. Quando devo parar. Quando devo me ajoelhar. Quando devo desistir. Quando devo recomeçar. A alma não, sempre me pede o que não posso fazer. A alma me mata. A alma me condena a não me contentar. A alma é ambiciosa, insatisfeita. No verão, olhava com compaixão os cachorros e os gatos, com sua enormidade de pêlos. No inverno, eles deveriam me olhar com espanto piedoso, estranhando aquele ser imensamente depilado. O corpo é estranho para quem não pensa com ele. O corpo me adapta a morar onde não quero, a criar desejos do nada. O corpo é uma insignificância imaginária. Vejo o modo como ela põe os cabelos para trás, e o corpo quer ser a concha de sua mão. Vejo o modo como ela morde os lábios e o corpo quer ser seu dente da frente. Vejo o modo como ela afasta os quadris e o corpo amarra as duas pernas. Os corpos se esclarecem, as almas complicam. Os corpos não mentem, as almas fogem. Não há como esconder um corpo. O corpo e sua alegria muscular. O corpo e sua euforia de veias. O corpo e sua chuva de olhos no escuro. O corpo me envelhece e me põe a exercitar outras virtudes. Ele muda, mas não me troca. Quando amo, sou inteiro corpo. Muito mais corpo do que alma. O corpo não precisa esperar a noite por uma mulher. O corpo já tem a noite dentro de si. Beije o corpo com suor, não com os lábios. O suor é boca pelo corpo. O corpo se arrepia. A alma se convence. O corpo. O corpo. O corpo. O corpo é essa garrafa que quebro para viver derramado.
de F. Carpinejar
Raramente uso a palavra alma. Alma é uma facilidade. Como se a pronunciando, já estamos sendo profundos. Minha mãe fica ofendida: diz que sou desalmado. Não é verdade, até o musgo tem alma. O musgo da escadaria de casa é um tapete de cadarços. Tem em sua frágil esponja o som dos sapatos que o atravessaram. O musgo é a campainha dos pés. Não é fácil procurar o corpo. Por estar sempre à disposição, o corpo confunde. Ver o corpo não é chamá-lo. Por isso, tardamos a descobrir o que o corpo sente. Precisa vir um amor para me ensinar o próprio corpo. O corpo se maravilha de visita. Meu corpo só se enxerga sendo admirado por uma mulher. Em mim, o corpo é cego. Tanta faz que tenha passado trinta anos com o meu corpo, o corpo não acorda com a minha voz. Quem não doa o corpo, não pode recuperá-lo. Eu sou adepto do corpo. O corpo me ensina mais humildade do que a alma. O cansaço do corpo. Os limites do corpo. Os senões do corpo. Os serões do corpo. O corpo me dobra e me convalesce. O corpo manda, não avisa. Por ele, sei quando devo voltar. Quando devo parar. Quando devo me ajoelhar. Quando devo desistir. Quando devo recomeçar. A alma não, sempre me pede o que não posso fazer. A alma me mata. A alma me condena a não me contentar. A alma é ambiciosa, insatisfeita. No verão, olhava com compaixão os cachorros e os gatos, com sua enormidade de pêlos. No inverno, eles deveriam me olhar com espanto piedoso, estranhando aquele ser imensamente depilado. O corpo é estranho para quem não pensa com ele. O corpo me adapta a morar onde não quero, a criar desejos do nada. O corpo é uma insignificância imaginária. Vejo o modo como ela põe os cabelos para trás, e o corpo quer ser a concha de sua mão. Vejo o modo como ela morde os lábios e o corpo quer ser seu dente da frente. Vejo o modo como ela afasta os quadris e o corpo amarra as duas pernas. Os corpos se esclarecem, as almas complicam. Os corpos não mentem, as almas fogem. Não há como esconder um corpo. O corpo e sua alegria muscular. O corpo e sua euforia de veias. O corpo e sua chuva de olhos no escuro. O corpo me envelhece e me põe a exercitar outras virtudes. Ele muda, mas não me troca. Quando amo, sou inteiro corpo. Muito mais corpo do que alma. O corpo não precisa esperar a noite por uma mulher. O corpo já tem a noite dentro de si. Beije o corpo com suor, não com os lábios. O suor é boca pelo corpo. O corpo se arrepia. A alma se convence. O corpo. O corpo. O corpo. O corpo é essa garrafa que quebro para viver derramado.
filhos

O mundo não tem sentido se se estagnar a humanidade.... Precisamos renovar a frota! Mas meus sais!!! Que tenhamos o bom senso e evoluamos!!!!
Corro o risco enorme de morder a língua mas, - será tão difícil educar?
o que faz um adulto deformar de tal maneira uma criança a ponto dela ficar insuportável em alguns momentos? A própria deformação pessoal. E tem remédio? Espero que sim.
Afff
quinta-feira, abril 12, 2007
Mulheres

minhas mulheres...
vocês sabem do que eu digo...
Cada qual sabe como é minha mulher...
cada uma com sua singeleza, sua beleza, sua melancolia linda e doce...
Umas com dores de amor fraterno trincado, umas com corações ardentes e frenéticos, tanto por desejar o mundo e ter "só" uma vida para alcançá-lo, ou por abdicar do todo para ter de fato e intensamente uma partícula (a que detém toda a potência cósmica, esteja bem entendido!)...
Enfim...
minhas mulheres...
Adoro tê-las, vê-las, catalogá-las, empilhá-las, despi-las, virá-las, retorcê-las, tocá-las, amá-las, ouvi-las, cheirá-las, sorvê-las, degluti-las, regurgitá-las, entendê-las, questioná-las, compará-las...
Vocês são minha biblioteca viva.
O que sei sobre ser mulher, ser humana, aprendi com vocês.
Obrigada Maria, Kátia, Cláudia, Regina, Eduarda, Paulina, Regiane, Silvana, Hozana, Elaine, Cida, Lúcia, Socorro, Penha, Anahide, Helena, Ana Cláudia, Edna, Sandra, Márcia, Carolina...
quarta-feira, abril 11, 2007

Tenho deliciosos pepinos para descascar.
Entregando uma reforma de igreja, elaborando projetos para mais duas, um salão paroquial, um edifício de dez apartamentos e o mais saboroso - aproximadamente trezentas casas ao longo da várzea do Tapajós. E a imensa maioria dos clientes satisfeitos.
Só tem hora boa e valiosa nessa profissão amada!
Ai que gratidão!!!!
terça-feira, abril 10, 2007
Há que se pensar...
Quando não tomava conhecimento de alguns aspectos da existência, portanto não me preocupava, havia a impressão de não saber reconhecer a sorte pela tranquilidade e mansidão que deveria existir.
Certamente tinha de estar em constante estado de felicidade. Se não estava, era neurose obsessiva, compulsão por sofrimento, sei lá o que. No mínimo uma esquisofrenia melancólica crônica. Como sofrer com tanto "dolce fa niente"?
Depois de me desprender de tudo - a verdadeira senhora desatadora de nós (rsrsrs), "la vie en rose" passou a ter cores mais fortes, e passaram a surgir cabelos brancos - toda neurose derreteu-se na cabeça quente, na agitação frenética do atendimento a clientes, reuniões, projetos, solicitações de tantas naturezas e nos amores livres...
Sim, desde que estou por minha conta e risco, tenho tido emoções fortes, mas não as troco por nenhuma suposição de paz .
Ah... tenho cá comigo que SER é isso - ser real, ser inteiro, ser harmônico, ser útil para si e por si.
Certamente tinha de estar em constante estado de felicidade. Se não estava, era neurose obsessiva, compulsão por sofrimento, sei lá o que. No mínimo uma esquisofrenia melancólica crônica. Como sofrer com tanto "dolce fa niente"?
Depois de me desprender de tudo - a verdadeira senhora desatadora de nós (rsrsrs), "la vie en rose" passou a ter cores mais fortes, e passaram a surgir cabelos brancos - toda neurose derreteu-se na cabeça quente, na agitação frenética do atendimento a clientes, reuniões, projetos, solicitações de tantas naturezas e nos amores livres...
Sim, desde que estou por minha conta e risco, tenho tido emoções fortes, mas não as troco por nenhuma suposição de paz .
Ah... tenho cá comigo que SER é isso - ser real, ser inteiro, ser harmônico, ser útil para si e por si.
segunda-feira, março 05, 2007
É você
Ah, meu bem... Se soubesse...
Cada olhar, cada som, cada gesto...
Você
Meu espelho mágico...
Mostrando o passado no futuro
A roda da vida
Só há um transcorrer do tempo
Eu é que hoje sou mais hábil
projeto detalhes, minúcias
Mais lúcida
aprendi iluminar e aplainar caminhos
Mais criança
brinco, não vejo risco
Todo amor é narciso
Seu íntimo já sabe disso
Tem se amado como nunca
Tem se visto inédito
Está amando seu poder
Se vê melhor, mais belo, mais forte, mais seguro
Preservar seu espelho mágico é só o que importa
Enlaçar, emoldurar, proteger, amalgamar...
Criar um mundo ao seu redor...
Materializar essa idéia de perfeição
A concretude da forma de dizer
não anula o valor desse universo novo
Ao contrário, lança a primeira matéria sólida
na construção do nosso ninho real
E o sonho é exatamente esse
Erigir nosso templo com materiais
preciosos, nobres e eternos
Verdade, Amor, Respeito e Caráter
Cada olhar, cada som, cada gesto...
Você
Meu espelho mágico...
Mostrando o passado no futuro
A roda da vida
Só há um transcorrer do tempo
Eu é que hoje sou mais hábil
projeto detalhes, minúcias
Mais lúcida
aprendi iluminar e aplainar caminhos
Mais criança
brinco, não vejo risco
Todo amor é narciso
Seu íntimo já sabe disso
Tem se amado como nunca
Tem se visto inédito
Está amando seu poder
Se vê melhor, mais belo, mais forte, mais seguro
Preservar seu espelho mágico é só o que importa
Enlaçar, emoldurar, proteger, amalgamar...
Criar um mundo ao seu redor...
Materializar essa idéia de perfeição
A concretude da forma de dizer
não anula o valor desse universo novo
Ao contrário, lança a primeira matéria sólida
na construção do nosso ninho real
E o sonho é exatamente esse
Erigir nosso templo com materiais
preciosos, nobres e eternos
Verdade, Amor, Respeito e Caráter
terça-feira, fevereiro 13, 2007
sábado, fevereiro 10, 2007
sexta-feira, janeiro 26, 2007
quarta-feira, janeiro 10, 2007
A INFÂNCIA POR PERTO
de Fabrício Carpinejar
Há homens que primeiro olham a bunda; outros caçam os seios e as pernas. Não que eu não olhe, eu olho só depois. A primeira coisa que procuro em uma mulher é a infância.
A infância estará nas mãos que seguram as saias, não nas saias. Estará no jeito que coça os olhos, não nos olhos. Estará na forma como penteia os cabelos, não nos cabelos.
É um temperamento, o modo como ela recebe as brincadeiras, o humor melancólico que recolhe as pequenas desaparições da bolsa.
A beleza de uma mulher está na infância que teve ou não teve. Naquilo que sofreu escondida ou escondeu para não sofrer. Naquilo que deixou passar e não significa que esqueceu.
O tempo de uma mulher não é o que está à frente, mas o que não aconteceu desde que ela pisou as unhas de esmalte.
Eu me interesso em reaver quais os nomes de suas bonecas, de seus cachorros, de seus gatos, onde dormia, se dividia o quarto com os irmãos, se lembra do cheiro do estofado do carro, do nervosismo da escola em fazer amigos, da estréia no palco nas apresentações do final do ano. O que me agrada não é o que ela domina, e sim o que ela colocou de lado. A sexualidade iletrada. A primeira vez em que a chamaram de moça, de mulher, a primeira vez em que usou um desaforo. Ela preparava sopa de folhas, matava formigas, produzia arco-íris ao regar as plantas, tomava banho de chuva, ficava doente antes das provas? Todas as perguntas inúteis me tranqüilizam, porque me devolvem o gosto dispersivo de não chegar a parte alguma.
Não quero o que ela já conhece, mas o que esqueceu. Reencontrar desejos é mais difícil do que criar desejos. Não ambiciono que uma mulher diga que começou a viver comigo. Que diga tudo o que não viveu comigo para que acompanhe e entenda suas escolhas. Talvez 'merecer' seja a senha. Não se conquista uma mulher, é preciso merecê-la. Receber um livro não é lê-lo.
Complicado contornar a pressa. Ou a grosseira de falar por ela. Não é respeitar, é merecer. O que envolve observar com os ouvidos, não impor o ritmo, não deixar que a intimidade seja apenas o corredor ao quarto. Que as palavras não sejam filhos indesejados. Ou que o silêncio não seja filho casual da distração. Que não sejamos óbvios de amar por amar, que amemos para nos recuperar, como pássaros que improvisam telhados num prédio abandonado.
E não é olhando a bunda ou os seios que teremos o que dizer. E esperando que a linguagem devolva a vontade de olhar da infância.
Há homens que primeiro olham a bunda; outros caçam os seios e as pernas. Não que eu não olhe, eu olho só depois. A primeira coisa que procuro em uma mulher é a infância.
A infância estará nas mãos que seguram as saias, não nas saias. Estará no jeito que coça os olhos, não nos olhos. Estará na forma como penteia os cabelos, não nos cabelos.
É um temperamento, o modo como ela recebe as brincadeiras, o humor melancólico que recolhe as pequenas desaparições da bolsa.
A beleza de uma mulher está na infância que teve ou não teve. Naquilo que sofreu escondida ou escondeu para não sofrer. Naquilo que deixou passar e não significa que esqueceu.
O tempo de uma mulher não é o que está à frente, mas o que não aconteceu desde que ela pisou as unhas de esmalte.
Eu me interesso em reaver quais os nomes de suas bonecas, de seus cachorros, de seus gatos, onde dormia, se dividia o quarto com os irmãos, se lembra do cheiro do estofado do carro, do nervosismo da escola em fazer amigos, da estréia no palco nas apresentações do final do ano. O que me agrada não é o que ela domina, e sim o que ela colocou de lado. A sexualidade iletrada. A primeira vez em que a chamaram de moça, de mulher, a primeira vez em que usou um desaforo. Ela preparava sopa de folhas, matava formigas, produzia arco-íris ao regar as plantas, tomava banho de chuva, ficava doente antes das provas? Todas as perguntas inúteis me tranqüilizam, porque me devolvem o gosto dispersivo de não chegar a parte alguma.
Não quero o que ela já conhece, mas o que esqueceu. Reencontrar desejos é mais difícil do que criar desejos. Não ambiciono que uma mulher diga que começou a viver comigo. Que diga tudo o que não viveu comigo para que acompanhe e entenda suas escolhas. Talvez 'merecer' seja a senha. Não se conquista uma mulher, é preciso merecê-la. Receber um livro não é lê-lo.
Complicado contornar a pressa. Ou a grosseira de falar por ela. Não é respeitar, é merecer. O que envolve observar com os ouvidos, não impor o ritmo, não deixar que a intimidade seja apenas o corredor ao quarto. Que as palavras não sejam filhos indesejados. Ou que o silêncio não seja filho casual da distração. Que não sejamos óbvios de amar por amar, que amemos para nos recuperar, como pássaros que improvisam telhados num prédio abandonado.
E não é olhando a bunda ou os seios que teremos o que dizer. E esperando que a linguagem devolva a vontade de olhar da infância.
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"A insegurança é a pior sensação para dois amantes: às vezes, o casamento mais monótono e destituído de desejo parece preferível. A insegurança torce o sentido das coisas e aniquila a confiança." do livro " Fim de Caso", de Graham Greene
