segunda-feira, outubro 08, 2007

dos mitos e alforrias

Se já soubesse quem sou

Te saberia. Como não sei

Planto couves e cravos

E espero ver uma cara

Em tudo que semeei.

Pois dizem que te mostras

Por vias tortas, nos mínimos?

te mostrarás na minha horta

Talvez mudando o destino

Dessa de mim que só vive

Tentando semeadura

Dessa de mim que envelhece

Buscando sua prórpia cara

E muito através, a tua

Que a muito me apeteceria

ver frente a frente.

Há luas luzindo o verde

E luas luzindo os cravos.

Couves de tal estatura

E carmesins dilatados


Que os que passam me perguntam:

São os canteiros de Deus?

Digo que sim por vaidade

Sabendo dos infinitos

De uma infinita procura

De tu e eu.




Hilda Hilst em Poemas malditos, gozosos e devotos

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Tenho muitas boas lembranças da época do primário em colégio de freiras.



Certa ocasião, Irmã Maria Fernanda, falando de não sei o que, disse-nos - (a uma classe só de meninas, de 8 ou 9 anos ):



"- Seja lá o que for que estiverem fazendo e para quem estiverem fazendo, faça-o com a certeza de que Jesus está vendo absolutamente tudo!"



Era apenas para nos estimular a fazer as coisas bem feitas, mas isso me impressionou fortemente. A onipresença. A onisciência então... nem se fala. Me pegou pelo pé!



Interessante.... Cresci com o hábito de tentar sempre fazer bem feito tudo a que me proponho.



Mas, ahhhhh como é fun-da-men-tal a liberdade do anonimato e auto-satisfação!!!!!!






Um comentário:

Arnaldo disse...

Oi.

Sempre me perguntei: "E se não existisse ninguém a nos olhar? Faríamos tudo do mesmo jeito?"

Essa onisciência e a tal da onipresença acaba por nos consumir completamente. Ela sempre vai estar lá. Quer de um jeito ou de outro. Quer estejamos falando de Deus, quer falando da nossa alma gêmea.

Será que fazemos tudo "realmente" para nós mesmos? Será que fazemos (ou procuramos fazer) tudo perfeito para agradar somente à nós? Será que tudo não se baseia sempre no próximo (mesmo o próximo não estando tão próximo assim)? Ou acabamos por procurar um anonimato e/ou uma auto satisfação procurando confortar (e conformar) nossa alma de algo que (ainda) não temos?

Quando você escreve, escreve pra quem?

Eu... escrevo para você... ;)